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“O problema não é o senhor estar de maiô, senhor...”

O policial parecia estar constrangido. Constrangido ou se controlando para não rir. Antônio, honestamente, era incapaz de definir qual era a diferença naquele momento – e em qual dos dois casos ele se encaixava. Quer dizer: ele estava sendo preso, então o que importaria saber se o policial estava incomodado pelo fato de ele estar semi-nu ou se estava tentando segurar uma risada que tinha poucos motivos para não sair.

“Eu tenho direito a um advogado?” ele perguntou: “Nos filmes as pessoas têm direito a advogados quando são presos.”

“Elas também têm direito de ficar caladas, o senhor também poderia usar esse seu direito, não acha?”

Aquilo era uma direta para manter a boca fechada, Antônio concluiu. E como uma pessoa de bom senso – apesar de estar correndo na rua apenas de maiô – ele resolveu que iria acatar o conselho. Se preocuparia com advogados quando fosse uma hora mais apropriada. Mas quando ela seria? E ele não poderia se vestir enquanto esperava? Não custaria perguntar:

“Escuta, senhor policial, eu posso vestir alguma coisa? Quero dizer, está frio, sabe?”

“Agora está frio?”

“É?”

O policial o colocou dentro do camburão e jogou um macacão para ele:

“Vista isso.”

“Com as algemas será meio difícil...”

“Deveria ter pensado nisso antes de sair correndo sem roupas pela rua...”

“Já tentei explicar, eu não estava correndo sem roupas, eu vi um...”

“Melhor ficar quieto, senhor. Vai ser melhor para você, eu já disse...”

Então Antônio voltou a ficar quieto. Era melhor, mesmo. Ele não estava numa cidade litorânea, onde poderia justificar o fato de estar andando apenas de maiô pela cidade. E quando disse ao policial que o vira correndo semi-nu que ele estava, na verdade, apenas correndo atrás de um cachorro que havia sido salvo por um peru, o policial não havia reagido da forma, digamos... mais esperada. Ou melhor: era a forma totalmente esperada: não acreditou no que para qualquer um pareceria uma desculpa esfarrapada. Uma desculpa esfarrapada, sim senhor. Antônio respirou fundo: naquele dia, estava vendo diversas coisas improváveis. Mas seria impossível que alguém acreditasse no que ele tinha visto. Mas quando ele fosse solto – uma hora ele seria – iria reencontrar aquele peru e aquele cachorro. Algo dizia a ele que iria! E então provaria a todos que estava certo... e não era nem louco, nem depravado. (02112011)

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