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Antônio não demorou para descobrir algo importante: mais difícil do que convencer os dois animais a seguirem-no, seria chegar em casa com eles. Primeiro porque não poderia entrar em qualquer lugar com eles – transportes públicos incluídos nesse qualquer lugar. Segundo, porque andar com dois animais na rua era algo que, no mínimo, chamava muito a atenção das pessoas. Ele até pensou em chamar um táxi, mas sabia que nenhum aceitaria levá-los sem, pelo menos, o pagamento de uma taxa maior (sob a desculpa de que seria para limpar o carro depois). Como Antônio não tinha dinheiro nem mesmo para a corrida normal, quem dirá para uma taxa de limpeza do veículo, fez o que menos gostaria em sua vida: ligou para sua ex.

“Alo?”

Como ele esperava para o horário, a voz dela era de sono. Era bom – talvez isso amenizasse o impacto da ligação.

“Oi, tudo bom, Rosalda?”

“Quem tá falando?”

“É Antônio. Olha, eu preciso de uma ajuda urgente sua...”

Ele nem sabe exatamente quando, no meio dessa frase, ela desligou. O sono dela, pelo visto, não adiantara de nada. Assim, não teria opção além do caminhar. E caminhar, caminhar, caminhar. Até chegarem em sua casa. Cachorra e humano com a língua de fora. Já o peru.

“Carinha, você... você é valente, hein? Nem parece estar cansado! Ah, mas o que eu sei a respeito de como os perus parecem quando estão cansados? Venham, vou arranjar um lugar para vocês dormirem e um pouco de água para beberem e... o que perus comem? Não sei. Mas a gente descobre...”

E Antônio saiu andando pela casa, para arrumar tudo que precisaria para “arrumar tudo” para os novos moradores. Sentia-se feliz por isso. Embora nem soubesse exatamente por que. (09012013)

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