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A reação de Antônio frente a declaração de Rosalda foi natural: ele arregalou os olhos. Não é preciso entender muito de comportamento para saber o que os olhos arregalados como os dele significam, mas ele incluiu a explicação verbalmente, para não haver fonte de dúvidas: “Mas... hein?” “Estou voltando para casa.” “Com autorização de quem?” “E desde quando eu preciso de autorização para voltar para cá?” “Essa casa é minha! Você não pode simplesmente decidir vir morar na minha casa do nada.” “Vou sim, e pode tratar de se livrar dos bichos.” “Não me livro não, eles chegaram aqui antes de você.” “Que antes? Eles chegaram ontem à noite.” “E você hoje de manhã.” “Nós fomos casados!” “Conjugação verbal perfeita: fomos. Não somos mais.” “E vai me deixar ficar na rua da amargura? Dormir na sarjeta?” Se Antônio sabia perfeitamente bem fazer cara de espanto, Rosalda sabia fazer perfeitamente bem cara de dó. “Você pode ficar aqui. Mas eles também ficarão...” “Mas!” “Mas nada. Eles são meus bichos de estimação. Se vai querer morar na minha casa, vai ser nos meus termos.” (15112013 - publicado em 11122013) | ||||||
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EUqueDISSE 2014 |
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