Principal
Publicações
Eu, Bookaholic
Semanário de um escritor
Fora...
Sobre nós
Contato
Apagão
Turista Acidentado
Filosofias de botequim
As aventuras do Capitão Glu-Glu
Aliens Anônimos
Rapidinhas do EUqueDISSE
Charges do EUquedisse
Histórias de Guerra
Procura-se Mãe de Pano
O espião Capítulo 1 – Parte IX

Saiu do banho e se olhou no espelho. Para Alex, aquela imagem refletida não era dele. Deveria ser. Parecia-se muito com a dele. Mas... não era!

Para começar, ele estava mais magro. Não que aquilo o incomodasse, mas ele se sentia algo mal com isso. Não sabia explicar bem porque. Estava abaixo do seu peso, e se sentia assim. Preferia uns dois ou três quilos a mais. Pelo menos. Mas com o tanto de trabalho que tinha, e a falta de tempo que tinha para pensar em coisas além de se preparar para o que estava por vir, tudo que ele era capaz de fazer era perder peso.

Mas seus problemas não eram apenas esse. Seu cabelo estava mais comprido do que ele gostava de usar, e claro. Sempre havia se reconhecido com um homem de cabelos escuros, raspados. O raspado, não por sua decisão, mas por decisão de seus cuidadores do orfanato. Cabelo curto não dava trabalho para pentear. Era a primeira vez que usava cabelos compridos, e isso o incomodava. Profundamente.

E, para completar tudo, havia a barba. Odiava barba. Barbas o lembravam do sofrimento. O sofrimento que ele queria esquecer. Embora nem soubesse porque. Tinha poucas lembranças de homens com barbas em sua infância. Sabia que algum tinha feito mal a ele, mas não sabia que mal era – e quando isso havia ocorrido. De qualquer forma, odiava barbas, e o simples fato de ter de manter barba o irritava.

Irritava e descaracterizava. Sabia os motivos pelos quais estava daquela forma: o trabalho. Sabia que, se fosse preciso, ele seria capaz de mudar rapidamente sua aparência. E certamente seria preciso muito em breve. Mas... ele queria muito se olhar no espelho e se reconhecer. Queria ter a sensação de ter algo que fosse só seu, já que tudo o resto era falso.

Mas aquilo era a guerra. Todos deveriam perder algo para que o bem maior ganhasse. Era triste e incômodo, mas logo tudo estaria acabado. E, se ele sobrevivesse, sentiria de uma vez por todas o que era ser ele mesmo. (01042012)

Anterior
Pular 10 para trás
Índice
Pular 10 para frente
Próximo

EUqueDISSE 2014