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| As pessoas nem sempre assumem certas convicções. Eu assumo as minhas: sou bookaholic. De carteirinha. Tá, sem carteirinha, mas porque ainda não descobri como faço para me filiar. Porque,s e eu descobrir, viro de carteirinha também. Acho que gosto de livros desde, tipo assim... sempre. Lembro quando comecei a aprender a ler e escrever, que eu pegava os livros infantis que havia em casa e tentava decifrar o que eles diziam com o conhecimento que eu estava adquirindo. Honestamente, não lembro de meus pais me contando histórias, mas me lembro de eu as lendo. Os livros e eu, eu e os livros. O primeiro livro “de responsa” que eu li foi “O quebra-nozes”. Tenho ele até hoje – ou, melhor dizendo, tomei posse dele, porque de direito ele é do meu pai, que (acho) nem se lembra mais que ele existe. Depois vieram outros e outros e outros... na quarta-série tínhamos aula de biblioteca e éramos obrigados a ler um livro da escola por semana. Honestamente, não gostava tanto quanto eu poderia: os livros eram fracos para o meu nível de leitura no momento. Então uma professora muito mais sapiente do que aqueles que criaram a tal da aula de biblioteca abriu a coleção pessoal de livros para nós lermos. Coleção Vagalume. Nem lembro mais o que li naqueles dias, mas lembro que era fantástico. E que eu adorava. Aliás, devo fazer uma pausa: houve duas coleções de livros que eu realmente posso dizer que marcaram a minha infância: a Vagalume, e a “Para gostar de ler”. A primeira me fez ficar cada vez mais apaixonada pelos livros. A segunda... bom, eu tenho cá minhas reservas quanto a ela. Para mim, deveria se chamar “para odiar leitura”. Tirando o “Para gostar de ler comédia”, eu não gostei de nenhum. Talvez porque contos nunca foram meu ponto forte. Talvez porque eles não eram tão bons quanto os organizadores pensavam ser. Para minha sorte, eu já estava viciada, então eles não me influenciaram em nada. Mas até hoje lembro que não gostei. Entrei no mundo das “histórias de adultos” – ou dos livros que não eram infanto-juvenis, como queira – por meio de Jornada nas Estrelas. Me viciei na série quando eu estava na 7ª série, e comecei a comprar livros que contavam histórias paralelas as da televisão e cinema. Não digo que li todos – tenho mais livros do que sou capaz de ler, e isso começou já naqueles dias – mas li tantos quanto meu tempo permitia. Os professores ao longo de minha vida estudantil logo notaram: eu não era uma leitora qualquer. E os de bom-senso me apoiaram na construção do meu “eu leitor”. Possivelmente o ponto máximo desse apoio foi na 8ª série, quando a professora de Português, ao invés de dar um único livro para a turma, preferiu dar uma lista de opções, das quais teríamos que escolher um para ler. Quer dizer: meus colegas escolheriam. Para mim, a escolha já tinha sido feita: quando essa professora propôs a lista, me disse “Esse é para você.”. Tratava-se de “O admirável mundo novo”. Preciso dizer que comprei, li e amei? Acho que não... Não vou dizer que gostei de todos os livros que passaram a minha frente. Claro: tenho meus gêneros literários e autores favoritos. Odiei, por exemplo, “O crime do padre Amaro” e fui simplesmente incapaz de ler “O Guarani”. Para minha incapacidade, uma declaração em minha defesa: não gosto de longas descrições, que é o maior problema de “O Guarani” e outras obras de sua época. Quem já teve oportunidade de ler o que escrevo já deve ter notado: evito dizer como os personagens e lugares são. Use sua imaginação, é para isso que ela serve! E então, se encontro um livro que diz até qual era a cor do esmalte da empregada da vizinha da namorada do personagem principal, eu simplesmente travo. Mas estamos numa era em que descrever demais não está na moda. Sorte minha. OU azar o meu? Conversaremos sobre isso na próxima semana ;) (26092011) | ||||||
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EUqueDISSE 2014 |
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