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| Há muitos tipos de viciados em livros. Eu poderia citar todos, mas não o farei com medo de esquecer de alguém e pensarem que fui preconceituosa. Mas são muitos. E o número de livros para dar conta desse vício é ainda maior. Pense, por exemplo, no número de pessoas que escreve diariamente. Acrescente com o número dos que já escreveram ao longo da história da escrita. Multiplique pelo número de versões de uma mesma história. E verá que há mais livros nesse planeta do que um ser humano em sua vida seria capaz de imaginar ler. Sendo assim, pergunto-me eu: porque é tão difícil encontrar gente viciado em leitura? Na verdade não é, é difícil encontrar gente que consiga bancar o vício. Pego todas as semanas o metrô, graças ao meu rodízio que não me permite chegar ao trabalho com meu carro. Passo por 3 pontos de venda de livros: uma livraria do tipo mega-store; uma máquina de vender livros (é como uma máquina de refregerantes, mas tem livros no lugar de bebidas) e uma banquinha de livros “Qualquer livro por 6 reais”. De todos os 3 lugares, a máquina é a que possui os livros mais em conta: em geral, em torno de 5 reais. Mas a variedade deles não é muito variada: muitos livros de auto-ajuda, um ou outro clássico da literatura, alguma coisa de filosofia e só. Já comprei numa dessas máquinas “O fantasma da ópera”, mas depois disso foi difícil encontrar algo que me interessasse. Depois, vem a opção da banquinha. Qualquer livro 6 reais, mas todos os livros são infantis, pelo que pude notar. Isso desanima um adultor leitor sem dinheiro, não acha? Finalmente, a Mega-store. Lá tem tudo quanto é livro por tudo quanto é preço. Mas as opções por 5 ou 6 reais não são muitas – eu ainda não encontrei nenhuma, na verdade Dai eu pergunto: quem pode bancar esse gasto? 5 reais para quem ganha um salário mínimo é muito dinheiro. Pode ser o que a pessoa precisa para ir trabalhar ou comer! Mesmo que ela queira – e possivelmente muitas querem – ler mais, ela tem como bancar esse interesse? Honestamente: cultura no Brasil é algo caro. Ou pelo menos, cultura em São Paulo é. Fui ao cinema e gastei mais de 20 reais. Se quero um livro, mais 15. Teatro, você dificilmente encontra algo por menos de 10. O mesmo para museus e zoológicos. Nem vou falar de shows. Isso sem contar transporte para chegar aos lugares e/ou estacionamento. Você pode ser viciado? Deve. Mas falta incentivo para isso valer a pena. Espero que um dia isso mude. Afinal cultura boa deveria ser acessível a todos. Por isso que defendemos o acesso livre a informação.(10102011) | ||||||
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EUqueDISSE 2014 |
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