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Da raiva e desespero a felicidade. Gente, tem dias que eu sou muito bipolar, viu....

Hoje foi um desses dias: levei duas horas pra conseguir comer porque a pessoa não foi capaz nem de fazer o meu pedido certo, quem dirá de me mandar a comida rapidamente.. E, depois, recebi a confirmação de que meu trabalho fora aceito para apresentação em um congresso. Só alegria!

Que somos todos um pouco bipolar todo mundo sabe. Ou deveria saber. Curiosamente, essa bipolaridade, no escritor, é muito mais intensa. Quero dizer: a gente está escrevendo feliz da vida. Então, mata um personagem e fica triste. Daí faz outro se apaixonar e fica de suspiros pelos cantos. Para finalmente tudo terminar em divórcio e brigas, e lá estamos nós, bravos e discutindo o que aconteceu.

Um dia eu conversei com uma amiga justamente sobre isso: o ator sofre intensamente tudo que seu personagem sente. O escritor, por seu lado, sofre tudo que todos os seus personagens sentem. Pode não parecer tanto num primeiro momento, mas.. é intenso e complicado. E maravilhoso.

Confesso que já fiz diversas coisas com meus personagens. Já fiquei irritada com as pessoas porque um estava brigando com todos, já chorei porque algum tinha morrido, ou fiquei feliz porque eles estavam felizes. Se não for assim, há algo de errado com o personagem! Ou comigo! Em uma das histórias que eu escrevi, passei por dois momentos inusitados. Num primeiro, eu precisava matar um personagem e não queria, simplesmente porque não estava preparada para fazer aquilo naquele momento. Ele ganhou o direito a vida? Não. Mas ganhou o direito a não ser oficialmente morto por mais algumas centenas de páginas. Isso me deu a paz de espírito necessária para continuar, o que foi ótimo. Até porque ela iria embora ao final do livro. Acontece que era uma história que me envolveu muito. Eu chegava a escrever, tranquilamente, 20 páginas por dia (você sabe o que é isso para alguém que trabalha 40 horas por semana?? Não sabe!). E, enquanto eu terminava a história, eu chorava. Foram umas 50 páginas chorando, a pele do rosto já sensível de tanto chororô... tudo isso porque eu não queria terminar, porque eu queria continuar com aqueles personagens pra sempre – e não seria possível, e eles sofreriam no caminho.

Hoje passei da raiva para a alegria em uma questão de segundos. Isso não faz de mim escritora – todos passamos por essa sensação. O que faz de mim escritora é saber que meus personagens também têm essas mudanças de humor. E da mesma forma que eu oscilo, eles também o fazem. E da mesma forma que eu sou influenciada por eles, eles são por mim. Depois me perguntam porque gosto de escrever. Cara: como não achar isso muito louco e divertido???(14052012)

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