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O Espião

Capítulo 1 – parte II

Alex olhou para a fila. Estava tenso – nessas horas ele sempre ficava tenso. Não era a primeira vez que fazia isso, mas sua experiência não fazia com que se sentisse confortável com sua missão. Pelo contrário: a cada dia, sua missão ficava mais difícil e a marcação ficava mais cerrada. Na semana anterior, um de seus colegas havia sido pego, e agora ninguém tinha notícias dele. E ele não era nem o primeiro, muito menos seria o último, Alex sabia muito bem.

Enquanto esperava na fila, porém, fingia que estava tudo bem. Ensaiava mentalmente suas palavras: precisaria atuar de forma magnifica. Como costumavam brincar: ele deveria ser capaz de enganar sua própria mãe, se tivesse uma. Não tinha, claro: como tantos outros em sua função, ele não tinha parentes. Nem mãe, nem pai, irmãos, primos, esposa ou filhos. Sozinho, para que não temesse que sua morte fizesse outra pessoa sofrer.

A sua frente, uma senhora animada. Trazia na bagagem presentes para toda sua família:

“Meus netos vão adorar todos esses presentes. Sabe como é: coração de avó não consegue se segurar. Sempre que consigo vir visitá-los, trago esses presentes. Eles adoram. E minha filha só gosta porque trago coisas para ela, também. Ela reclama que aqui não tem os perfumes de que ela gosta, então eu trago. E também tem meu genro. Ele é mais chato de agradar, mas eu sempre encontro algo de que ele goste. Veja, o que acha? Como homem? Seja sincero!”

Alex olhou para a senhora um pouco assustado: não queria se desconcentrar de seu ensaio mental. Por outro lado, não poderia deixá-la falando sozinha:

“Me parece um objeto muito fino, senhora. Algo que apenas uma mulher de muito bom gosto seria capaz de comprar.” Ele respondeu, comentando a respeito do pingente que ela apontava a ele. A senhora sorriu:

“Claro, não estou levando só isso para ele, mas... acho que esse é o melhor presente que ele poderia receber, não acha?”

“Certamente que sim, senhora.”

“Mas de onde o senhor vem? Digo porque não reconheço seu sotaque...”

“Sou de Olímpia, senhora.”

“Pelo seu sotaque, eu não diria.”

Ele sorriu sem jeito, e agradeceu que a senhora havia sido chamada para ser atendida. O que permitia que ele aceitasse seus cinco segundos de ansiedade, até ser sua vez de ser atendido:

“Passaporte, por favor. Senhor...?”

“Alex Brahins.” Ele sorriu e esticou para o guarda a sua frente o documento. O guarda olhou para o passaporte:

“Senhor Alex Brahins, qual o motivo de sua visita?”

“Negócios. Minha empresa está tentando alguns acordos internacionais em seu país. Passarei as próximas semanas tentando fechar esses acordos.”

“Tarefinha chata, não?” disse o guarda, sorrindo e carimbando o passaporte. Alex sorriu – mais feliz por ter conseguido do que do comentário do oficial a sua frente.

“Ossos do ofício!” ele respondeu, pegando seu passaporte novamente.

“Tenha uma boa estadia, senhor Brahins.”

“Obrigado.”

Alex se afastou do posto de imigração. Havia entrado. Havia conseguido. (24102011)

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