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O espião Capítulo 2 – Parte X

Alex olhava aquelas pessoas sem entender muito bem o que se passava. Talvez estivesse tão saturado de mortes que já não se sentisse chateado quando ouvia falar de alguma, mesmo que próxima. Talvez estivesse apenas ignorando seus sentimentos. Para ele, porém, estava apenas cumprindo seu papel.

Sim, era seu papel ser o espião frio e calculista, mas que fingia se importar. E, se importando, havia ido ao enterro do primo da dona da pensão em que morava. Ele era seu inimigo? Era. Mas ninguém sabia disso. E era sua obrigação fingir que se importava.

A ideia de estar entre militares o incomodava. O morto era um militar, e como tal seria enterrado. Isso explicaria a presença de um general entre os presentes, bem como de outros oficiais, de patente mais baixa. Alex olhava para todos, e se perguntava se algum deles teria experiência suficiênte para saber quem ele era, que era uma ameaça. Honestamente duvidava, mas se sentia inquieto mesmo assim.

"Obrigada por ter vindo, Alex." disse uma voz baixa, triste. Era Agatha.

"Era minha obrigação vir." ele respondeu, de forma polida.

"Não era. Você nem conhecia meu primo, e é apenas um hóspede de minha mãe."

"Sua mãe é como uma mãe para mim, assim como é para a maior parte dos rapazes que moram lá. Por isso estamos aqui."

"Mesmo assim, obrigada."

Alex sorriu e abraçou a filha da dona da pensão.

"Não se preocupe com isso."

A menina chorou, então, em seu ombro. Isso fez Alex se sentir o pior dos homens, fingindo se importar com algo que realmente não lhe interessava. Se esforçou, porém, para afastar esse sentimento o mais rápido possível. Não se importava, não poderia se importar. Aquilo era uma guerra. Ele havia sido treinado para conseguir tudo que pudesse ser usado contra aquele país. Fingiria, sim, o quanto fosse preciso. Fingiria tanto quanto fosse necessário. Fingiria até seu país ganhar a guerra. Depois disso, ele sabia, não teria mais espaço para se sentir mal com seu fingimento... (18092012)

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