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| O espião Capítulo 1 – Parte XI Alex comprou um jornal. Iria lê-lo enquanto tomava um café. Tomaria um café enquanto esperava. Esperaria enquanto pudesse. Havia recebido a informação de que naquele dia iriam entregar-lhe os dados de sua nova missão. Já havia feito tudo que haviam pedido para ele: já havia se instalado no país, já havia se misturado entre todos como um trabalhador estrangeiro tentando vender seu produto, já havia reconhecido o terreno, já havia preparado o que fosse para seu próximo passo. Agora só restava a ele esperar pelo próximo passo, e isso o irritava: a sensação de não estar fazendo nada dava a ele a impressão de que era inútil. Não queria ser inútil. Havia treinado por muito tempo para ser inútil. As notícias do jornal local o deixavam ainda mais irritado. Novamente ele lia futilidades sobre um mundo que fingia ser normal. Um mundo que fingia que nada estava acontecendo. Como eles poderiam se enganar tanto? Era nisso que ele pensava enquanto tomava mais um gole de seu café. Então, ouviu alguém, na mesa do lado: “Eu já entendi seu ponto de vista, amor. Você não gosta muito de minha mãe, embora ela te adore. Não quero discutir isso com você, não hoje. Hei, escuta. Hei! Ela é minha mãe, Simone. Não posso querer que ela não participe da minha vida, simplesmente. E... hei... está bem, não vou discutir isso com você, Simone. Pronto. Vou sair com você de noite, com mamãe de manhã. E eu faço ela entender que você não pode ir conosco pelo motivo que for. Eu a convenço disso. Pronto. Satisfeita? Você está discutindo com mamãe e ela nem consegue entender o motivo! Ela... ela é um anjo, ela te adora e você fica implicando com ela, e implicando com bobagem e... e é isso mesmo! E quer saber de uma coisa? Desde que a gente ficou noivo você não pára de arranjar motivos para brigar comigo. Não? Pois não parece. E... vamos conversar mais tarde, está bem? Eu te encontro em sua casa, pode ser? Simone... Simone, entenda uma coisa: eu te amo. Você é a mulher da minha vida. Para mim, a única coisa que importa é você. Entendeu? Consegue entender isso? Vamos fazer assim, vou até a sua casa e a gente conversa. Não vou mais falar contigo pelo telefone. Chego aí em 10 minutos. Está bem, então, mas se acalme. Está bem? Eu te amo. É isso o que deveria importar, não é? Está bem, então. Então estamos decididos. Não, eu sei que...” O rapaz da mesa se levantou, e se afastou, impossibilitando Alex de ouvir o final da conversa. Ele, internamente, ria por dentro: as pessoas fingiam que nada estava acontecendo. As pessoas acreditavam realmente que valeria mais a pena brigar com as noivas, namoradas, esposas ou amantes por conta de coisas menores quando algo muito maior estava prestes a estourar. Não era culpa delas. Os jornais também não falavam disso. Uma nota menor, apenas, dizia algo a respeito disso. Uma nota falando de uma movimentação de tropas deixando as relações diplomáticas mais tensas. Uma nota pequena, que... Que não estava mais lá. Enquanto Alex se distraia, ouvindo a briga de casal, alguém havia trocado o jornal que estava em sua mesa. Aos olhos de todos, era apenas um jornal, exatamente como o que ele estava lendo antes. Para ele, porém, era muito mais do que isso. Sabendo que precisaria se concentrar, Alex levantou-se, pagou a conta e foi para casa, ler o que havia recebido em paz.(01052012) | ||||||
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EUqueDISSE 2014 |
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