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| O espião Capítulo 3 – Parte VI O clima na pensão estava carregado. Mais um dos moradores estava de mudança – mais um saindo por conta da Guerra. Péricles, ao lado de Alex, comentou: “Eu... quando chega uma nova carta com aquele envelope, só penso se não é a minha.” “Como assim?” perguntou Alex, fingindo não compreender o óbvio. “Eu sei que serei convocado. Está mais do que claro que todos seremos. Quero dizer, você não porque não é daqui, mas... quem for desse país, será convocado. E, veja, Thiago é um garoto e está indo para a guerra.” “Isso não quer dizer que você também irá.” “Não, não quer. Mas... eu não tenho como evitar o medo. Você já se pensou numa guerra, Alex?” Alex pensou em responder algo sincero, para variar um pouco, e dizer que pensava nisso o tempo todo... mas antes disso, Péricles continuou: “Eu morro de medo. Tenho certeza de que deve ser horrível. E que ninguém merece passar por uma situação dessas...” “Mas em uma guerra, nós lutamos por uma causa. Nosso país, nossa pátria, nossas ideias, nossas crenças.” “Será que Thiago sabe quais são as crenças e ideias que ele defenderá com a própria vida? Eu acho que eu não saberia...” “Se vocês não sabem nem porque estão lutando, é porque essa guerra está perdida.” Disse Alex, numa frase que o assustou logo após ser emitida. Ele sabia por que estava lutando? Por que estava naquele país, espionando aquelas pessoas? Ou estava se enganando com essa certeza? Antes que seu devaneio se tornasse visível, porém, Péricles disse: “Feliz é você, cujo país não está em guerra... Vou lá dar um abraço em Thiago.” Com essa frase, o colega de pensão se afastou. Alex ficou apenas olhando. Não importava se tinha dúvidas: tinha mais certezas de seus motivos que aqueles jovens. (18072013 – Publicado em 20072013) | ||||||
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