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| O espião Capítulo 3 – Parte VII Simone estava abraçada a César. Eles não teriam lua de mel – haviam concluido que não seria adequado fazer uma comemoração daquele tipo para o casamento quando uma guerra estava acontecendo. Ainda assim, foram para um hotel de luxo, onde aproveitariam o final de semana que de núpcias. “Você está acordada?” César perguntou a Simone. “Sim...” “Não consegue dormir?” “Foi um dia muito agitado. Ainda... não consigo entender que você e eu estamos casados...” “É difícil, não é? Depois de tudo que ocorreu, parece impossível entrar na nossa cabeça, que...” “Você me perdoa por ter tentado te deixar? Por ter ficado longe de você?” “Só se você parar de pedir desculpas. Eu sei o quanto minha mãe foi inconveniente naqueles dias com você. Eu não via, mas era óbvio...” “Era sua obrigação, como filho.” “Mas eu quase te perdi por isso...” “Quase, mas não perdeu...” “Hoje é o dia mais feliz da minha vida, sabia?” “Só porque eu casei contigo?” “Porque você, mesmo não me amando a ponto de achar que deveria casar comigo, se casou para me salvar...” Simone olhou incomodada para César: “Como assim?” “Eu sei que você não gostaria de se casar comigo. Eu sei que você se casou por conta da guerra.” “Não é verdade...” “Você se casou comigo porque ficou com medo de que eu fosse convocado, e porque acredita que isso me impediria de ser. Não é?” Era verdade. Mas... Simone queria que César soubesse disso? “Não, claro que não!” “Não importa, amor. Não importa. Porque... você casou comigo, e hoje é o dia mais feliz da minha vida...” “Então por que está fazendo esses comentários desagradáveis? Vamos nos concentrar no hoje, em sermos felizes e no nosso futuro...” “Eu fui convocado, Simone.” Simone olhou assustada para César: “Como assim?” “A carta chegou essa semana para mim. Devo me apresentar na semana que vem.” “Mas... agora você está casado, não precisa mais ir. Não é?” “Isso não tem nada a ver, amor. Nada a ver...” “Mas...” “É tudo invenção. Casamento não está impedindo as pessoas de serem chamadas. Nem casamento, nem trabalho, sem filhos...” César começou a chorar: “A guerra está indo tão mal que eles não estão poupando ninguém. Um rapaz da firma, com três filhos, um deles recém-nascido, foi chamado...” “E o que você vai fazer?” “Eu vou lutar, o que mais?” “Foge. Tenta pedir asilo e...” “Se eu fosse pego, seria preso como inimigo da nação.” “Você não pode me deixar, César... você não pode ir para a guerra...” “Eu não tenho escolha...” “Promete que vai voltar?” “Eu não posso prometer. Eu... só posso prometer que vou lutar até o fim para conseguir...” Ainda chorando, César apertou Simone em seus braços. Ela também chorava. Tinha tudo sido em vão, o casamento tinha sido em vão... mas ela, ao menos, tinha tentado... (03082013) | ||||||
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