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| O espião Capítulo 3 – Parte XI Simone fechou a porta do carro lentamente. Havia esperado o avião de César partir, e então dirigido sem rumo por algum tempo. Não queria acreditar que o marido tinha embarcado, não queria acreditar que ele estava indo para a guerra. Não queria acreditar que ela estava sozinha. Não queria acreditar no risco que ele corria. Quando começou a se cansar, pensou no que deveria fazer. Havia passado os últimos dias na casa de César, e oficialmente aquela casa era dela, agora, mas ao mesmo tempo a ideia de voltar para lá, de ficar ali sem ele a incomodava profundamente. Decidiu, então, que pegaria suas coisas e voltaria para sua casa em si, onde ficaria mais a vontade pelo menos por hora. Com isso em mente, foi até o endereço do marido. Quando chegou, viu malas na porta, que estava entreaberta. Entrou lentamente e encontrou logo Dorotéia, sua sogra, sentada na sala de visitas. “Olá, dona Dorotéia.” “Olá, Simone.” O silêncio era mais constrangedor do que qualquer coisa que pudesse ser dita naquele momento. “Ele embarcou.” “E você não fez nada para impedi-lo.” “O que eu poderia fazer?” “Se tivesse casado com ele antes. Se tivesse arranjado um filho para ele antes. Se...” Simone começou a chorar: “Não teria feito diferença, dona Dorotéia, e ele estaria...” “Não aceito que chore!” Gritou Dorotéia, levantando-se: “Não aceito que chore e não aceito que fique na casa de meu filho.” “Dona Dorotéia?” “Já separei as suas coisas, estão lá fora. Quero que saia daqui agora. Só vai voltar quando César voltar para mim. E daí, sim, quero ver se não se casou com ele por interesse...” “Que interesse eu teria nesse casamento?” “Você certamente sabe melhor dos seus motivos do que eu. Agora saia.” Simone suspirou e saiu da casa. Poderia até tentar discutir com a sogra, mas não tinha forças. Era melhor e mais prudente, naquela hora, simplesmente pegar suas coisas e partir. (23092013) | ||||||
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