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O espião Capítulo 3 – Parte X

César e Simone seguiam quietos, de mãos dadas, pelo saguão do aeroporto. Ele, vestido com o uniforme que recebera para se apresentar. Ela, com uma roupa simples. Ambos compartilhando um sentimento ao mesmo tempo triste e desesperador: o medo inexplicável e real de que nunca mais se vissem. O medo de que, talvez, César morresse naquela guerra. E eram tantas as formas de morrer naquele momento – ser fatalmente ferido era apenas um desses meios. Quem poderia garantir como César voltaria daquela luta? Quem poderia garantir o que ele veria durante os combates e quais seriam os efeitos dessas visões?

Talvez fosse o último dia que Simone via seu marido como o conhecia. Talvez aqueles fossem os últimos minutos dos dois, juntos. Ela sabia que sofreria esse momento, mas sentia-se até surpresa pelo grau com o qual aquilo pesava em si.

O silêncio deles foi quebrado pelo toque do celular de César. O rapaz atendeu ao telefone com a voz embotada:

“Oi, mãe. Ainda não embarquei, mãe, vou me apresentar agora. Claro que Simone está comigo. Eu vou, mãe, eu vou. Não vai fazer diferença, eu já disse. Eu vou tentar. Eu prometo, mãe, vou tentar. Também te amo. Vai terminar tudo bem, mãe...” César começou a chorar: “Vai terminar tudo bem, e eu vou querer que você esteja no aeroporto me esperando quando eu voltar. Te amo, mãe. Tchau.”

César desligou o telefone e olhou para Simone:

“Ela só faz isso ficar mais difícil. Se queria, porque não veio nos encontrar aqui?”

Simone a abraçou:

“Porque ela não quer te ver partir. Porque é triste te ver ir embora.”

Ao redor deles, outros casais, outras famílias. O mesmo sentimento. A mesma dor.

E, então, um senhor pediu a atenção de todos:

“Atenção, senhores. Peço, por favor, que me ouçam com atenção. Faremos três filas para embarque. Dividam-se nessas filas e embarquem imediatamente.”

Aos poucos, as filas se formavam. O som do choro ficava cada vez maior, e alguns gritos histéricos eram ouvidos. Simone seguia César sem dizer nada, fazendo seu melhor para parecer forte. E então veio sua vez de embarcar. E o desespero, até então contido, se tornou insuportável:

“César, por favor, não vá. Por favor, eu te imploro. Não faça isso comigo, por favor, por favor, eu imploro...”

“Eu volto para você, Simone. Eu prometo.” Disse César: “Eu volto para que sejamos felizes juntos, para que construamos nossa casinha e sejamos felizes para sempre.”

Então ele a beijou, abraçou forte... e subiu no avião. Antes de sumir na porta, ainda olhou para trás, sorriu e acenou com a mão enquanto desistia de limpar suas lágrimas. Simone ainda esperou o resto dos passageiros – homens como César – embarcarem e o avião decolar. Ah, como queria que César passasse novamente por aquela porta, voltasse para ela e desistisse para sempre da guerra.

Como queria...

A guerra, definitivamente, nunca era justa.

Nunca. (15092013)

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