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O espião Capítulo 4 – Parte VIII

O toque sinalizava o cortejo fúnebre, mais um morto na guerra. Mais um. Eles estavam se tornando quase diários. O que não fazia com que as pessoas se sentissem menos mal quando eles ocorriam.

Quando aquele cortejo passou, Alex estava na pensão. Péricles, um dos moradores, ao ouvir o toque, falou:

“Lá vai mais uma alma. Até quando isso vai acontecer?”

Alex apenas balançou a cabeça. A revolta do colega continuou:

“Deveríamos acabar logo com essa guerra, ganhar logo isso tudo e trazer nossos homens de volta!”

“Você acha mesmo que estão ganhando a guerra?” perguntou o espião, de forma quase descuidada. Estava cansado de ouvir aquele discurso vitorioso, mesmo quando tantos elementos mostravam que ele era falso.

“Como assim?”

“A todo momento há mais e mais pessoas sendo enviadas em caixões para suas casas. Cartas e mais cartas de convocação sendo enviadas. Não sei como você ainda não foi convocado! Convocar civis para lutar não me parece algo sensato da parte de um militar, e me parece um ato desesperado, de quem não tem outra opção – de quem está perdendo a guerra. Vocês deveriam declarar logo que estão perdendo a batalha e acabar com isso...”

Péricles se levantou como se fosse bater em Alex. Antes que o fizesse, porém, gritou:

“Você deveria pensar bem no que está falando, Alex. Esse país acolheu você e seus negócios. Não se fala assim do país que te alimenta.” E, revoltado, ele se afastou. (20012014 – publicado em 02022014)

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