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| O espião Capítulo 4 – Parte III Alex estava andando na rua. Havia se dado ao direito de estar distraído. Não muito: só um pouco. O suficiente para ouvir o canto dos pássaros. Era um dia de comemoração, afinal. Primeiro, comemorava que estava há um ano em missão em Coneva. Um ano extremamente produtivo, era preciso dizer. Havia conseguido mandar informações preciosas para o seu quartel general, em Sardenha. Mais: seu país estava com clara vantagem na guerra. Os jornais locais não mostravam essa informação, mas ele a tinha – tinha as melhores fontes sobre a guerra que poderiam existir: seu quartel general e Agatha. A filha da dona da pensão era discreta em suas falas. Sempre. Como uma civil trabalhando para os militares, ela sabia que não poderia falar muito sobre o que sabia. Mas haviam coisas que ela não conseguia esconder – não tinha o treinamento para ignorar suas angústias e medos. Alex, como espião, havia sido treinado para identificar essas coisas. E tomar proveito disso. E era o que estava fazendo. Mas, naquele dia, comemorava também outra coisa: o sucesso de sua última missão. Havia conseguido o endereço de diversos esconderijos inimigos no campo de batalha. Uma informação valiosa e disputada entre os espiões. E, que agora, era dele. E de seu país. Conseguir esse dado certamente permitiria que a gangorra daquela guerra se voltasse quase permanentemente a favor de Sardenha. Esse era motivo suficiente para Alex comemorar. Embora, enquanto andasse por aquelas ruas, sentisse um pouco de receio: ele gostava de diversas daquelas coisas, e sentiria falta delas quando voltasse para sua casa, após ganhar a guerra. Sentimentalismo, porém, não o levaria a nada. Não estava ali para ter pena do inimigo. E não sentiria, definitivamente. Continuaria fazendo seu trabalho – e ajudando a garantir a vitória na guerra. (01122013) | ||||||
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