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| O espião Capítulo 4 – Parte II Simone estava sentada na mesa de reuniões. Não sabia exatamente porque havia sido chamada para estar ali naquele momento, junto com todas as demais pessoas do seu setor, mas... não queria pensar nisso. Mesmo que quisesse pensar nisso, não conseguiria: sua cabeça estava longe, estava na guerra. Estava em Cesar. Ele mandava poucas notícias. Era justo: certamente não seria fácil conseguir escrever quando se está numa frente de batalha. Mas as cartas que ele enviava vinham carregadas de sofrimento. O pouco que ele descrevia do que via, do que fazia, do que sentia fazia com que Simone sentisse desespero de saber que ele estava lá e ela não poderia fazer nada para ajudá-lo. E, pior: apesar de todo o sofiemento que ele sentia, ele ainda se preocupava com ela! Perguntava como ela estava, como estava sua relação com a mãe dele. Ela não tinha tido coragem de contar que a sogra a havia expulsado de casa. Ele poderia saber disso quando voltasse. No momento, todas as notícias que ela enviava a ele eram boas. Mesmo que inexistentes. Mesmo que falsas. “Boa tarde a todos.” Disse o chefe da reunião, obrigando Simone a voltar seus pensamentos de Cesar para a realidade que estava ali, a sua frente. Todos os que estavam ali – em sua maioria mulheres, já que boa parte dos homens havia sido convocada para a guerra – responderam um boa tarde baixo. O chefe continuou: “Reunimos a todos aqui hoje para discutirmos uma situação cmplicada para a empresa. Vou direto ao ponto pois... de qualquer forma, não há maneira simples de dizer isso que tenho para falar: com a guerra, nossa empresa está passando por grandes problemas financeiros. O país está em crise financeira e essa está nos afetando. Estamos tentando da melhor forma possível superar esse momento sem mais cortes de funcionários, já que muitos de nós foram convocados para a guerra, mas... a situação está ficando cada vez mais complicada. Teremos que cortar pessoal em breve. Infelizmente.” Todos começaram a fazer comentários. Alguém perguntou: “Quando começarão as demissões?” “Em breve. Vamos tentar segurar isso o máximo que pudermos. E vamos tentar fazer isso da forma mais justa possível, embora... nunca haja uma forma justa de se demitir alguém.” Simone respirou fundo. Ao seu lado, Elisa chorava. Ela segurou a mão da colega: “Não fique assim. Não entre em desespero agora, Elisa." “Vamos perder nossos empregos, Simone. Como não ficar assim?” “Há coisas bem piores que poderiam acontecer conosco... E... ainda não perdemos nossos empregos. Então não percamos a esperança.” “Queria ter o seu otimismo...” Simone sorriu, mas não respondeu nada. Pensou que também queria ter esse otimismo, mas... sobre isso, era melhor ficar quieta, naquele momento. (09112013) | ||||||
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