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| Muitas coisas passam por nossas cabeças quando caímos em uma piscina. Que a água está quente, que a água está fria, que nosso cabelo irá ficar sujo, que tomar banho de piscina era a pior idéia que se poderia ter. Mas quando aquela cachorra caiu na piscina, ela particularmente pensou um palavrão. Afinal, você sabe: cachorros e piscinas podem até se conhecer, mas não necessariamente são grandes amigos, e embora interajam uns com os outros, isso não significa que essa interação é agradável e que ambos os lados gostem dela. Esse era o caso da cachorra, que ao se ver interagindo integralmente com aquele montoeiro de água pensou que ali sua vida viraria morte. Se fosse um humano e tivesse alguma religião, a cachorra pediria, naquele momento, o perdão por seus pecados, preferencialmente com uma segunda chance para não cometê-los. Afinal, é notório que entre os humanos, todos querem conhecer Deus, mas ninguém quer morrer, e se fosse um membro da espécie, a cachorra não seria diferente. Mas ela não era humana, e não sendo ficou resolveu tentar nadar para se salvar. Sim, porque todos os cachorros nascem sabendo nadar, é algo natural deles. Mas que não funciona quando não temos para onde nadar, e esse era o problema dela: por mais que quisesse – e como queria! – sair da piscina, não conseguia nadar para fora. E já estava quase cansando quando um ser esquisito, que ela nem sabia quem era, chegou, a tirou, e foi embora. A princípio, ela pensou que fosse um humano que a salvara – quem mais chegaria perto daquele recipiente com água para tirar outro de lá? Mas um humano normalmente daria um banho nela logo depois “só para tirar o cloro”, e aquilo não aconteceu. E ele também perguntaria – mesmo que ela não fosse capaz de responder – como ela estava, o que também não foi o caso. E não tendo ocorrido nada que fosse digno de causa e que indicasse a ela a origem Homo sapiens do indivíduo, ela olhou para ele, a tempo de vê-lo correndo, fugindo. E descobriu – para sua surpresa – que se tratava de uma ave. Normalmente essa descoberta faria com que ela despontasse seu instinto de “oba, vamos comer”, mas... ele era grande demais para um passarinho fácil de caçar, estava correndo para fugir dela e, principalmente, tinha salvado-lhe a vida. E ela, que era uma cachorra, mas tinha sentimentos, notou que deveria ir atrás desse estranho. Glu-Glu não sabia, mas estava arranjando ali uma aliada. Embora ele pensasse que aquele cachorro correndo atrás dele quisesse, de verdade, fazer dele o almoço.(21092011) | ||||||
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EUqueDISSE 2014 |
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