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Antônio estava sentado na cela. Sentado, olhando para baixo, cantarolando alguma bobagem.

Honestamente? Ele pensou por anos que um dia seria preso. E, honestamente, se surpreendeu quando foi por um motivo tão banal quanto estar andando semi-nu na rua. Claro, ninguém gostava de ver outra pessoa andando daquele jeito na rua. Ainda assim, ele esperava que, se fosse para ser preso, que fosse por um motivo mais ilícito que aquele.

A cela estava entediante. Só tinha ele, na verdade, lá, o que o fazia ficar sem um companheiro para conversar e tal. Bom, era melhor isso que se tornar a mulherzinha da cadeia, isso era certo. Mas... ele queria – e muito – encontrar uma solução mais adequada para aquela questão em particular. Uma solução do tipo ser solto – essa seria uma solução excelente.

O problema é que não dependia só dele. Dependia de alguém estabelecer uma fiança, e depois ele convencer a ex-esposa que ele precisaria de dinheiro, mas iria devolver... essas coisas. Ou talvez dependesse só de um bom advogado, tanto fazia! Dependia de algo que ele não tinha naquele momento.

E então veio um dos guardas. Antônio não fazia idéia qual era o plano do cidadão ali, mas tinha certeza de que deveria ser algo não muito interessante. Ele se sentou, com uma revista, e começou a ler. Antônio tentou puxar conversa:

“Já sabem quando vão me liberar?”

“Quando apurarmos o caso.”

“Mas eu já expliquei.”

“Eu sei, senhor. Cachorro sendo salvo por peru. Não é?”

“É!”

“Então, eu já sei. Mas é mieio duro de engolir, não acha??? Onde já se viu um...”

Nesse momento, entrou correndo outro guarda:

“Cara, veja que louco isso. Parece que aconteceu na piscina. O peru salvou um cachorro, olha!”

E, na tela do celular, tudo que o guarda viu foi exatamente o que Antônio descrevia – letra a letra. Como o meliante não portava nada que valesse como celular ou documento, ele não teria como saber detalhes de coisas que só agora estavam chegando a internet... é!

Foi assim que Antônio não precisou dormir na cadeia.... (16052012).

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