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Esse papo de que todo animal fala a mesma língua é mentira. Talvez todos os cachorros se entendam. Talvez todos os perus se entendam. Mas não espere que perus entendam cachorros ou vice-versa, pois isso não irá ocorrer. Ao menos, não tão bem quanto você possa imaginar.

Isso serviu para aquele momento. Glu-Glu e a cachorra não se entendiam plenamente. Não mais, ao menos, do que Antônio entendia qualquer um deles. Mas todos entenderam o que a ave quis dizer:

“Glu...”

Era algo como um misto de “Acho que ele é gente boa” com “não me coma” e “Se eu tivesse que ter medo, não sei de qual dos dois seria” e ... “Ah, cara, quer saber? Se eu tiver que morrer, vou morrer mesmo...” e “Mas eu não acho que corro risco.”

É. Algo dizia para nosso herói que ele estava a salvo. E estava, mesmo, embora ele não soubesse ainda muito bem o motivo. Mas com aquele Glu, ele convenceu a cachorra disso. E convenceu Antônio que deveria continuar tentando ajudar aqueles dois animais.

“Eu posso ajudar vocês. Quero dizer, moro sozinho e acho que a gente se daria bem, juntos. Mas se querem ir comigo, precisam decidir logo, pois daqui a pouco alguém volta para cá.”

Ele fez sinal, pedindo que os dois animais o seguissem. Glu-Glu foi, olhando para trás e checando se a cachorra o seguia. E a cachorra foi, desconfiada que só ela... mas foi.

Para os três, uma nova história começava. Mas... nenhum deles sabia disso ainda. (12112012)

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