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| O espião Capítulo 2 – Parte IV Simone olhou para o jornal. Atualmente o único assunto nele era a guerra. A guerra, a guerra... guerra. Ela odiava aquela guerra, já sabia. Odiava pelo que sabia que uma guerra significava e pelas incertezas que tinha quanto ao que ocorreria dali para a frente. Crise, medo, destruição, mortes... Ela nunca havia visto uma guerra ocorrendo em seu pais, mas sabia que não tinha como ser boa. Ao lado dela, tomando café da manhã, estava César. Ele estava tranquilo, como se nada estivesse acontecendo. Foi nessa hora que olhou para Simone: “Algo errado, amor?” ele perguntou, notando seu olhar pesado e preocupado: “Alguma notícia ruim no jornal?” “Há uma guerra.” Ela disse, simplesmente: “O que mais poderia estar errado?” “Sim, há uma guerra. Mas... o que poderíamos fazer?” “César? É uma guerra em nosso território. Um país está nos atacando! Podemos ignorar isso?” “Eles não tem motivos para nos atacar. E eles não vão nos representar problemas.” “Pessoas estão morrendo por conta dessa guerra. Pessoas que estão na região que eles estão atacando. E você diz que eles não vão nos representar problemas?” “Sim, é claro que uma guerra traz problemas. Não vou dizer que não. Mas... aposto que nosso governo irá rever essa situação rapidamente.” “Matando, então, pessoas de Sardenha.” “Foram eles quem começaram.” “Isso justificaria a guerra, é óbvio?” “Isso não justifica a guerra, mas certamente me parece um ótimo motivo para não nos preocuparmos. Quero dizer...” “O que você faria se fosse convocado para a guerra, César?” César riu: “Eu nunca seria convocado.” “Por que não?” “Por que eles nunca fariam isso... eu trabalho, e eu...” “Você se alistou...” “Era obrigatório, Simone. Eu e todos os homens adultos se alistaram. Eles não vão escolher a mim para lutar enquanto devem ter pessoal muito mais preparado para isso. Quero dizer, temos forças armadas para isso, não é? Para lutar por nós?” Simone balançou a cabeça, mas não disse nada. Sabia que ele poderia estar errado, como sabia que ele poderia estar certo. Só o tempo poderia dizer. (23062012) | ||||||
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