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O espião Capítulo 2 – Parte XIV

Alex estava intrigado com sua sorte. Sabia o quanto era importante ter sorte para ter sucesso em seu trabalho. Se estava vivo até então, era por sua sorte. Era porque não estava com seus pais no dia em que foram mortos. Era porque, quando ficou órfão, foi enviado para um lar para crianças, ao invés de ser abandonado a própria sorte na rua. Era porque, entre tantas crianças, havia sido um dos escolhidos para o treinamento. Era porque havia se mostrado capaz para ir para campo.. e para cumprir com as missões para as quais era indicado.

Mas seu maior trunfo não estava em sobreviver. Sua maior sorte era ter uma informante tão perto dele – mais especificamente, morando sob o mesmo teto.

Agatha. Para ele, a princípio, ela era apenas a filha da dona da pensão. Uma mulher bonita, delicada... mas sem grandes atrativos. Ao menos, não para ele. Ao menos, não até ela chegar um dia fardada para casa. Aquilo chamou a atenção de todos.

“Que roupa é essa, Agatha?” perguntou Péricles, que nada mais fazia do que fazer a pergunta que todos tinham em mente.

“O que parece? Fui chamada.”

“Para?”

“Trabalhar com os militares.”

“Você? Mas...”

“Um dos antigos comandantes do meu primo veio conversar comigo depois do enterro, querendo saber se eu não teria interesse em trabalhar na guerra. Farei seviços gerais, nada grandioso. Só para ajudar.”

Para Agatha, aqueles serviços poderiam ser simples. Coisas pequenas, coisas sem grande importância. Mas... não. Alex sabia que isso não era um fato. Nenhum general convidaria a bela prima de um soldado morto para trabalhar com ele sem um bom motivo. Mesmo que essa bela prima não ficasse sabendo do motivo real.

Se Agatha não sabia porque havia sido convocada, Alex sabia. Havia ouvido comentários a esse respeito: estavam convocando civís para trabalhar em atividades secretas. Os civís não sabiam o que estavam fazendo, portanto não mentiriam se fossem eventualmente questionados sobre isso. Além disso, era mais fácil que fossem discretos e mantivessem segredo – já que não sabiam exatamente com o que estavam trabalhando.

Obviamente não seria simples para Alex descobrir qual era realmente a atividade que Agatha estaria exercendo. Mas ele sabia como conseguir isso. E já tinha feito coisas bem mais difíceis. Agora... era tudo uma questão de tempo. E de persistência.

“Olá, Agatha.” Ele disse. Ela sorriu – desde o enterro do primo estava mais próxima dele:

“Olá, Alex. Tudo bom?”

“Tudo maravilhosamente bem.” Ele se ajeitou: “Sabe.. Eu estou precisando comprar umas roupas para mim. Ternos, calças, essas coisas. O que eu trouxe comigo estão um pouco surrados, daqui a pouco terei problemas com meus clientes. Daí pensei... se você poderia me levar a alguma loja que conheça...”

“Algum dos rapazes da pensão não poderiam te ajudar?”

“Poderiam. Mas...” não foi difícil para ele fingir que estava com vergonha de dizer a próxima frase, pois, de fato, estava: “se eu fosse com um deles, não poderia... quero dizer... acho que a opinião feminina nessas horas é importantíssima. Além disso...”

“Você está me convidando para sair?” Ela sorriu.

“Só se você me disser que aceita.”

“Amanhã. Está bem para você? Sairei mais cedo do trabalho, nos encontramos aqui, fazemos algumas compras para você e você me paga o jantar.”

Alex sorriu. Seu plano, pelo visto, daria certo. (25112012)

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