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O espião Capítulo 2 – Parte III

Alex estava sentado em uma das mesas da pensão. Era o horário do café da manhã, e boa parte dos moradores da pensão estava por lá. Era o momento em que eles discutiam o que estava acontecendo no mundo. Era o momento em que Alex sentia o que os moradores do país pensavam sobre seu país... e o quanto sabiam sobre a guerra que estava apenas começando.

“Como aqueles desgraçados puderam atirar contra nós? Com que direito eles fizeram isso?” perguntou Sidney, que se sentava na mesma mesa de Alex. Acompanhava-o Péricles, que respondeu:

“Uma guerra sem motivo, que eles iniciaram por nada... deveriam ter vergonha!”

“Isso vai contra tudo que se prega nesse mundo! Contra o que é ser correto e contra o que é ser justo!”

“Não fizemos nada para merecer uma bomba...”

Alex olhava a discussão em silêncio. Haviam ensinado-lhe algo bem importante: na terra do inimigo, só se fala depois de convidado...

“O que você pensa sobre isso, Alex? Não acha que esses desgraçados são uns cães covardes, que não merecem misericórdia?”

... e não se diz o que se pensa.

“Eles não foram corretos.” Disse Alex, molhando o pão em seu leite – um hábito que ele considerava nojento, mas que era costume entre os nascidos em Olímpia: “Há diversas medidas a serem tomadas antes de se decidir por atacar, e eles simplesmente atacaram o seu país antes de tomar todas essas medidas. Isso é desprezível.”

“Quem fala é um homem sábio!” disse Péricles: “E que não tem motivo algum para defender nosso país, uma vez que não é daqui...”

“Ele está ganhando dinheiro as nossas custas!” gritou Lorins, um dos inquilinos da pensão reconhecidos por ser xenofóbico: “Ele tem todos os motivos para declarar que está do nosso lado.”

“Calado, Lorins.” Disse Sidney: “Ele poderia estar ganhando dinheiro em outro lugar, se você quer saber. E por pensar dessa forma que você pensa que nós estamos sentados com ele, embora seja de Olímpia, do que com você, que é nosso compatriota...”

Lorins se levantou e encarou Sidney de frente, em clara posição de ameaça:

“Saibam que será atitudes como essa de vocês que fará com que nosso país caia no limbo e na desgraça.”

Lorins, então, se afastou. Assim que ele estava suficientemente longe, Sidney e Péricles começaram a rir:

“Não sei de que esse velho caquético está com medo. Vamos derrotar aqueles perdedores com uma mão. Não vai ter nem graça...” disse Péricles.

“Não vai ter nem graça!” confirmou Sidney: “Sardenha já era!”

Alex engoliu o que sobrava ainda de seu pão, com um sorriso que estava entre o sínico e o de concordância. Os Conevenses não estavam levando a sério aquela guerra. E aquilo seria o que faria com que a perdessem. Mas ele não diria isso ao inimigo: preferia que seus soldados mostrassem a realidade na prática....(09062012)

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